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Mostrando postagens de dezembro, 2020
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“O tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida” (Mario Quintana) VIRANDO PÁGINAS Aquela noite em breu total serviu pelo menos para uma coisa: Mirella fez um novo conhecimento no Edifício. Talvez ela já possa até considerar o Frei, “amigo” (sim, nada de Padre, ele é Frei). E "amigo" é uma palavra que tem um significado muito forte em seu vocabulário sentimental. Mas com certeza foi uma ótima experiência. Tanta coisa aconteceu depois daquela noite à luz de velas que nem sei por onde começar... Chegamos a uma época do ano que ela preferiria não ter que enfrentar. As benditas festas e comemorações que sempre a deixa enojada por conta das hipocrisias que assolam as pessoas. Tinha motivos pessoais que a levava a detestar o Natal e nesse ano, especificamente, ela adoraria tomar um comprimido e dormir... Mirella recuperou seu contato com o Bentinho - aquele passado que ela não queria trazer para o p...
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  LUZ E VELAS A trovoada foi tão forte que fez Mirella engolir a vontade de fumar!   As vidraças estremeceram e um vento forte assobiou sinistro. Não demorou e as luzes começaram a piscar. Todos esses efeitos desviaram a atenção dela do computador. Levantou-se e foi até a área pegar umas velas e fósforos. Mal chegou ao seu destino e as luzes apagaram. Ficou no breu total, parecia ter sido geral.   Tateando as gavetas do armário da cozinha se deu conta de que os fósforos não estavam ali. Então lembrou haver se desfeito dos mesmos desde que comprara seu fogão com acendimento automático. Privilégios da modernidade que naquele momento de nada serviam.     Mas e as velas?   Vasculhou um pouco mais as gavetas e nada. Os olhos já começavam a acostumar com a escuridão. Ainda assim precisou seguir na procura esbarrando nos móveis para chegar até a sala e verificar se restavam algumas velas por lá.   Se existia medo em Mirella, insetos v...
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  "Sou uma parte de tudo aquilo que encontrei no meu caminho." (Alfred Tennyson) SEGREDOS   ‎ - Vidinha chinfrim, pensava Mirella. Estamos chegando ao final do ano e nada muda.   Entra ano, sai ano e ela continuava naquela habitual tortura de se enfiar num escritório cinza para depois ir para sua casa, habitada num edifício cinza. Cinzas eram as borras de cigarros deixadas em seu lixo, cinzas eram seus pensamentos cheios de hábitos e manias. Cinzas eram as nuvens que desenhavam o céu naquela tarde chuvosa de um feriado sem graça.   - Quem manda ser burra. Depois de se endividar por causa de homem tem mais que ficar enfurnada em casa só imaginando onde poderia estar se não estivesse tão dura!   Duras escolhas. Duras consequências.  Era um dedo podre para homens ou então seu “cupido tinha miopia”.  Estava sozinha novamente. E, decididamente, Mirella não sabe ficar sozinha.   Levantou-se da cama e foi até a escrivaninha para l...
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  TEMPO ESGOTADO! Depois das fortes emoções vividas tudo parecia voltar ao normal nos meses que se seguiram.    Luis era um amante extremamente ardente e como se diz por aí, na gíria, o “número” certinho de Mirella. Sendo os dois maduros não cabia na relação sexual situações que pudessem melindrá-los. Viviam intensamente aqueles momentos seguindo, obviamente, com toda segurança que a situação pedia. Em uma relação entre pessoas adultas não cabe inverdades e ambos sabiam que deveriam respeitar este código. Com isso se permitiam viver tantas fantasias quanto fossem possíveis.   No entanto, Mirella começou a perceber que seus sentimentos oscilavam. Atitudes e situações que a levavam a crer que poderia estar enganada. Um questionamento se instalou de tal forma na sua mente que sua inquietude começou a transbordar em forma de impaciência e isso, certamente, refletia na relação deles.     Será que Mirella sentia por Luis paixão ou compaixão? ...
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  “ Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.” (desconheço a autoria) COM...PAIXÃO! Mirella recebeu Luis com um sorriso no rosto. Se lhe valiam de alguma coisa seus anos de experiência, uma delas era a de que um sorriso sempre cai bem quando não se sabe o que falar.  A angústia que lhe assombrava por desconhe cer parte da vida daquele homem que tanto a encantara não era maior do que a paixão que a consumia. O almoço foi tranquilo. Falaram trivialidades. Luis é daquele tipo de cara que faz e sabe de tudo. Conserta desde cadeira que range por conta de um pé torto até máquina de lavar. Mirella não sabia se ele o fazia por curiosidade ou por economia. Afinal, em que Luis trabalhava ainda era um mistério para ela. Além de todas essas proezas domésticas, ele ainda se metia a dar palpites na decoração. Isso sem mencionar que tinha sempre algo de sugestivo a pronunciar. Algumas vezes esse jeitinho muito moldado e prestativo a irritava....